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Tuesday, July 15, 2008

Os Heróis Precisam dos Gregos

“It was one of the few moments in my life that I was
 fully aware of being on the brink of a great experience.
And not only aware but grateful, grateful for being alive,
grateful for having eyes, for being sound in wind and limb,
for having rolled in the gutter[…], for having done everything
that I did do since at last it culminated in this
moment of bliss.”
Henry Miller, The Colossus of Maroussi












Se eu fosse uma mulher generosa a dar conselhos, e além disso sapiente, acreditando que a minha (breve) experiência de vida vos serviria de alguma coisa, poderia dar-vos uma recomendação de destino de férias e de leitura. Porém, jamais as ofereço, porque há uma zona no meu cérebro que, quando ouve uma bem intencionada recomendação, relembra imediatamente óleo de fígado na sopa. Para além desta memória de prenda envenenada, estou sinceramente convicta que ainda me falta ver muito Mundo – no sentido mais lato possível da palavra - para começar a aconselhar.




Decidi, simplesmente, falar-vos de um livro pouco conhecido, embora o seu autor o seja sobejamente. De facto, já todos ouviram falar de Henry Miller (1891-1980), quanto mais não seja pelo facto do seu livro O Trópico de Câncer ter levado a uma série de processos em tribunal em ‘61 que questionaram as leis da pornografia nos EUA. As suas obras ousadas do ponto de vista da sexualidade (algumas autobiográficas, como a trilogia na qual descreve a sua vida após o divórcio da primeira mulher) tornaram Miller famoso, ofuscando os seus outros livros – a correspondência com outros autores onde se dedica à reflexão filosófica e à crítica social, as novelas surrealistas, os ensaios de crítica literária, as short-stories ou a vasta literatura de viagens que produziu.




De entre os últimos, destaco a mais interessante e inesperada viagem – Miller nunca teria embarcado se não tivesse ouvido a descrição da Grécia feita pela sua companheira de casa, que lhe pintou “a world of light such as I had never dreamed of and never hoped to see”. Desta ideia e de uma mitificação toda feita da combinação artística entre o sonho e o real, a História e o Mito criada em Miller pelas cartas constantes recebidas de Corfu, onde morava o seu amigo Lawrence Durrel (também ele escritor), nasceu o desejo inadiável de partir para as Ilhas Gregas.




A viagem aconteceu em 39-40 e o relato vívido, cativante, verdadeiro de um país e de um povo que tão pouco mudou no seu essencial arquetípico e personalístico e tanto mudou no acessório fácil que o turista distraído apreende ao primeiro olhar chama-se The Colossus of Maroussi.




Durrel acompanha Miller da capital em diante, dando-lhe ainda a conhecer várias outras fascinantes personagens. Miller torna-se um admirador dos gregos, que, segundo ele, preservam as qualidades humanas que parecem ter sido esquecidas no resto do Mundo: a paixão pela vida, a generosidade, o quase total desprezo pelo material, o conforto na vida simples e também a confusão agradável do caos e a assumpção de um não resolvido espírito contraditório. Esta gente agrada-lhe tanto mais quanto representa a antítese ao seu próprio povo – os americanos absurdamente capitalistas – se bem que Miller faça também comparações com os ingleses (dominadores na época da ilha de Corfu não tendo os nativos em grande consideração), cuja aristocracia falha por ser demasiado forçada, e os franceses (pois era em Paris que Miller habitava), cujo requinte era totalmente desprovido de um afecto espontâneo e natural.




A admiração de Miller encontra valor simbólico no poeta grego Katsambalis, o Colosso que figura no título. Katsambalis é um encantador pela palavra, pelo seu sentido de aventura interior maior que a vida, por fazer crer que o génio (ao invés da mediocridade) é a norma: “The task of genius, and man is nothing if not genius, is to keep the miracle alive, to live always in the miracle, to make the miracle more and more miraculous.” Da vida, Katsambalis tira mais vida, como quando imita um galo a cantar de madrugada em plena Acrópole e lhe respondem vários galos, despontando, assim, a manhã.




Miller guarda também da Grécia a incomparável paisagem semelhante a uma tela (importante para quem, como ele, pintava), as limpas e modestíssimas pousadas, o humor de se encontrar num barco repleto de gente, animais e carga dentro do mesmo espaço ou de enfrentar o perigo e o enjoo de uma vez só, ambos profunda e teimosamente. Também não esquece a língua grega, que é “para poetas, não para mercadores”, flexível, amante, uma língua para homens que precisam de se inventar em heróis.




The Colossus of Maroussi não é um elogio gratuito à Grécia. Fala também da sua rudeza ocasional, da sua falta de meios na província, da sua loucura intempestiva. Mas é, sem dúvida, o relato mais verídico de um périplo pela Grécia. Todos os que lá foram com olhos de ver (logo, fora dos sítios de boom turístico) ou lá viveram sabem que é um lugar onde o vento, a água, a terra e o fogo são eles mesmos, em estado puro. Só isso, combinado com o aroma ancestral da História e a carga do Mito, fazem da Grécia sem rival.



Nota: A foto que publiquei a acompanhar o artigo foi uma foto diferente, da Ilha de Mykonos. Esta é da ilha de Syros. Uma espreitadela à foto original aqui: ...



Sunday, October 15, 2006

«Demasiadas Notas, Meu Caro Mozart!»

«Outubro é o mês da música.» É isto que vemos propagandeado e não se percebe muito bem porquê – afinal, quem gosta, gosta sempre (tenho a impressão de já ter ouvido esta frase em qualquer lado…afinal, o marketing funciona!); quem não aprecia dificilmente se deixará contagiar por se ter institucionalizado o dia 1 de Outubro como o Dia Internacional da Música.


«2006 é o ano Mozart.»  Outra frase repetida até à exaustão e igualmente sem sentido porque de Mozart são todos os anos desde 1756. Já em 1991 tínhamos assistido a uma febre universal mozartiana, quando se celebraram (o verbo é extraordinário quando aplicado a esta situação) duzentos anos da sua morte. Escreveram-se milhares de ensaios, artigos, biografias, restauraram-se quadros, repensou-se a catalogação Köchel (com o devido respeito que inspira sempre a toda a gente a revisão feita por Einstein), reviu-se a peça de Peter Schaeffer e o filme de Milos Forman centenas de vezes e, acima de tudo, discutiu-se muito a vida de Mozart nos círculos ditos eruditos;  não sei até se mais do que se ouviu a sua música – afinal, único momento onde reside o magnetismo inexplicável e a intemporalidade que todos se esforçavam por descobrir em mil e um lugares secretos estranhos aos sons. 


Desde o fim de 2005 - os 250 anos do nascimento de Mozart celebraram-se a 27 de Janeiro deste ano e a «máquina» não perde tempo! - que vimos assistindo a uma agitação em tudo igual. Nada mudou. Salzburg e Viena continuam a disputar o wunderkind e recebem peregrinações turísticas - embora todos já saibamos, há muitos anos, que Mozart nunca gostou da sua terra-natal - , os biográfos ainda discutem a influência na sua vida da disciplina e visão do pai Leopold, do carácter (amoroso ou cínico?... mas seguramente adaptável e camaleónico) da mulher Constanze Weber e da sua  (agora  admitida como muitíssimo  exagerada) rivalidade com Salieri. Um pouco por todo o mundo, não têm conta os concertos que se realizaram para celebrar o aniversário de Mozart este ano, e ainda continuam a realizar-se, havendo mesmo quem tenha tido a iluminação intelectual de encomendar o Requiem para a quadra natalícia, demonstrando esta escolha uma apurada sensibilidade musical a par de um  elevadíssimo conhecimento terminológico (e prático, pois imagino o desconforto que se apoderará das pessoas na igreja quando sentirem o peso e a melancolia de uma Missa de Defuntos na época cristamente alegre de aniversário do Menino Jesus. Adiante.)


Escrever sobre música é ridículo e pedante. Ridículo porque se as palavras pudessem transmitir o que transmitem os sons, não haveria músicos mas apenas escritores. Teríamos um mundo insuportavelmente mais pobre. Pedante porque a tendência geral quando se escreve ou até se fala sobre música e não se pertence a esse mundo tecnicamente (com raríssimas excepções, como Aldous Huxley que, sendo doutra esfera, aparentava uma naturalidade invejável) é meter a música em ficheiros bibliográficos  que se leram e arrumá-la  em teorias formativo-sistemáticas que se aprenderam há anos atrás, donde resultam conversas melómanas onde entram construções poéticas como «mistério ambivalente» a par de palavrões como «dodecafonia». Banalidades que não acrescentam nada à música enquanto fenómeno transportador.


Hoje, já elucidados pelos historiadores quanto a alguns mistérios mozartianos (as paixões juvenis pela prima e pela irmã da mulher, as viagens e as enormes dificuldades profissionais e financeiras, a ligação ambígua ao pai, as suas crenças, a sua doença súbita que nada teve de misterioso como por tanto tempo se acreditou), não somos capazes de discernir o mais recôndito – a razão do apelo da sua música. A música de Mozart é, mesmo para os animais ditos irracionais, a mais chamativa, a mais vivificante e, paradoxalmente, a mais tranquilizadora, segundo os etólogos.


Podemos agarrar-nos a conceitos como o domínio técnico infalível da forma e da «simetria» (a palavra mais usada quando se fala em Mozart, depois das palavras «divino» e «humano», o que nos faz pensar que ele é a ponte de equilíbrio entre dois mundos opostos) das suas sinfonias, a incomparável «percepção humana» (ops!) das suas óperas, o fascínio e brilhantismo dos seus concertos, a maravilhosa duplicidade – a um tempo alegre e nostálgica – das suas sonatas, etc, etc… Nada disso interessa. É absolutamente irrelevante tentar explicar o prazer.


De resto, nem sempre ele foi unânime, pelo menos entre os pseudo-avaliadores (essas pessoas sempre tão gloriosamente importantes na sua época e depois tão imediatamente esquecidas dias após a sua morte). O Sacro-Imperador José II ao ouvir a ópera O Rapto do Serralho - hoje aclamada como deliciosamente imaginativa - bocejou :«Demasiadas notas, meu caro Mozart!».


Afortunadamente, Mozart não prestava muita atenção aos seus mecenas ou a quem quer que fosse. A sua consciência musical era apenas a de que a música era. Sem necessidade de explicações ou consequências. E, nele, a música era um rio inesgotável  porque, tal como o sangue e a linfa que foram a sua curta vida, a música era Mozart.



Thursday, July 20, 2006

Em Busca de um Fio…

El Gran Laberinto, o novo livro de Fernando Savater, é um romance de aventuras juvenil. Este rótulo – é necessário enquadrar o que se escreve num género qualquer, para agradar aos teóricos e confortar os entrevistadores (e vice-versa!) – é explicado pelo autor: “Um livro que só agrade a uma criança não vale a pena nem para a criança. A literatura juvenil é aquela que também pode agradar aos jovens.” Fã incondicional de Júlio Verne, de R. L. Stevenson e de todos os relatos iniciáticos que marcam os anos inquietantes de aventura e descoberta adolescente, este catedrático de Ética da Universidad Complutense de Madrid opina que escrever para jovens obriga a renunciar aos artifícios pedantes de que geralmente se socorre um escritor: “Podes impressionar um adulto com uma citação de Habermas ou de Popper, mas um puto de 13 anos não se impressiona minimamente. Tens de te defender com as tuas próprias armas. Não te podes esconder em truques eruditos. Os jovens obrigam-te a seres directo, e isso faz com o que escrevas valha por si mesmo. Deitas fora as tuas muletas culturais. Nós, os do mundo académico, temos muitas vezes essa tendência: a de nos refugiarmos atrás das citações. São muralhas! È por isso que gosto tanto deste exercício – fico com o corpo  a descoberto.”


Savater é muito conhecido pelos seus livros La infancia recuperada, Ética para Amador e Politica para Amador, todos eles com uma dimensão pedagógica acentuada. Educar é, para este professor, algo de apaixonante e não uma tortura, pelo que faz sentido passar essa mensagem nas suas obras. Entenda-se “educar” como “aproximar as ideias das pessoas para que possam ser melhor compreendidas” e não a filosofia discursiva de uma elite ou a massificação de um didactismo aborrecido. Aliás, a literatura pressupõe-se divertida. O próprio Savater confessa ser, como José Luís Borges, um leitor hedónico, que não seria nada mais se lhe pagassem somente para viver lendo: “A leitura é, em primeiro lugar, um prazer e os prazeres não se impõem, comunicam-se por contágio.O prazer da leitura tem de ser contagiante.”


A ideia de El Gran Laberinto foge à noção estrutural de um romance deste sub-género (na época pós-moderna, à falta de melhor adjectivação para o casino temporal em que vivemos, ainda subsistirão estes esquemas?) -  a intenção do autor era construí-lo como se fosse um vídeo-jogo. De facto, foi a sua mulher, aficcionada dos vídeo-jogos e já cansada das críticas que se faziam a quem passava a vida de comando na mão, quem lhe deu a ideia: em vez de criticar tanto o pessoal fã dos jogos de computador, e de dizer que os putos não lêem e são uns viciados do ecrã, porque não tentar fazer um romance juvenil de aventuras que lhes desse exactamente o que lhes dão os vídeo-jogos – aventura, risco, o poder de decidir, de escolher, a febre da luta, a ultrapassagem de si mesmos e a glória de um objectivo final?


Savater entendeu que todo o vídeo-jogo não é mais que uma forma de mecanismo iniciático e, no fundo, de educação – fonte de experiência através de determinadas passagens e consultas, daí que agrade tanto ao adolescente. Com uma certa perícia, chega-se à glória; quando não, não há recompensa. São uma forma imaginativa de recuperar histórias. Para tempos diferentes, um modo diferente de narração.


El Gran Laberinto pretende ser, assim, um multimédia convertido em romance, em que cada viagem das personagens trata de um problema actual – o fanatismo religioso, a violência sobre os mais fracos, a ciência ao serviço da guerra, etc. Isto porque o autor acredita que a literatura é, a seu modo, uma espécie de farmácia, na qual há remédios para todas as doenças, basta procurarmos. Preocupa-o, de modo particular, a questão dos nacionalismos (Savater é natural do País Basco, sofreu variadas agressões na sua região e, assinale-se, venceu o Prémio Sakharov de Direitos Humanos). Segundo ele, “o problema dos nacionalismos não é um problema real como a fome, a educação ou o desemprego. Não são os territórios que têm direitos, mas sim os cidadãos. E é com os cidadãos, não com os territórios, que devemos preocupar-nos.” A mesma posição assume em relação à língua: “São os falantes que têm direito à língua, não as línguas que têm direito a procurar falantes. Se os falantes decidem falar outra, têm esse direito. Os nacionalismos crêem que tudo tem direitos, excepto as pessoas.”


Para este educador, as pessoas e o seu viver são o mais importante. Assim, ele gostaria que os seus livros fossem pontos de partida e não de chegada. Partidas para outras leituras, outros prazeres. É por isso que há tantas referências e pistas para um leitor atento.


El Gran Laberinto não deixa de ser polémico, sobretudo por se coadunar com a internet, de certa forma. Savater crê que não podemos negar a modernidade. Para ele, “ler é ler um livro” e nada retira o prazer do papel. Mas é compreensível que outras gerações tenham outros interesses porque nasceram dentro de outro espectro de circunstâncias: “O que é preciso é conservar vivo o prazer que a leitura encerra. Pensemos que muitos dos nossos antepassados, tão importantes intelectualmente, nunca tiveram um livro, em sentido moderno - Séneca, Aristóteles... nunca leram nenhum.”


Mas isso de ler não é fugir a uma vida, a um viver no sentido verdadeiro do verbo? Savater diz-nos que “as coisas mais belas, como o amor, como a religião, têm sido tremendamente mal usadas. Com a literatura, pode acontecer o mesmo.”


Tuesday, September 27, 2005

O Silêncio e a Palavra

“Aprende a estar em silêncio” disse Elie Wiesel que desejava gritar a sua história, a história de seis milhões, ao mundo. Este judeu romeno  nascido a 30 de Setembro de 28, Prémio Nobel da Paz  em 86, escritor aclamado e premiado por várias obras, entre elas a célebre Noite, sobrevivente de Auschwitz,  fala-nos constantemente do poder da palavra e da força do silêncio.


Parece-nos, hoje, muito distante esta realidade da Shoah. Na verdade, foi há 60 anos. Não é uma página amarela do livro de História, nem uma atrocidade que se deu quando a Civilização gatinhava.
Quando a palavra Holocausto ainda não era moda, era seguro usá-la. Fazia sentido. De repente, começaram a surgir os filmes de Hollywood em vez dos documentários, as colunas de opinião disparatadas em vez dos testemunhos de sobreviventes, a criação de um Estado que não  se aproxima da Terra Prometida.


De facto, todas as palavras se tornaram perigosas, quase vazias de sentido, porque se apropriaram delas os mestres da retórica de bancada. “Então, aprende a estar em silêncio” diz Wiesel. “Eu queria contar a história... mas como fazê-lo? Todas as palavras me pareciam inadequadas. Onde ia eu inventar um novo vocabulário, uma linguagem primordial? A linguagem da noite não era humana.” (Como Escrevo, 1978).


Que noite é esta? “Nunca esquecerei aquela noite, a primeira noite no campo que transformou a minha vida numa longa noite.[...] Nunca esquecerei as chamas, que consumiram a minha fé, para sempre.[...] Nunca esquecerei os momentos que assassinaram a minha alma e o meu D-us.” (Noite, 1958)


Depois da Guerra, Wiesel manteve-se em silêncio por 10 anos. “Há uma arqueologia no silêncio. Há uma geografia do silêncio. Há uma teologia do silêncio. Há uma história do silêncio. O silêncio é universal e podes trabalhar nele […] e fazer dele uma testemunha. […] Eu esperei 10 anos, porque queria ter a certeza de usar as palavras certas. Eu temia a linguagem.” ( Entrevista, 1996)


 É necessário não confundir esta preparação interior com indiferença. O silêncio pesado e brilhante de sentido não é o virar as costas ao Mundo, não é a negação da Vida. Mas Wiesel decidiu contar a historia do Holocausto porque não a contar seria envenenar a sua alma.


“Manter-me em silêncio ajudava-me, talvez, mas não ajudava mais ninguém. O silêncio nunca ajuda a vitima; abre espaço para o vitimador. […] Apercebi-me também que a indiferença faz de nós mortos antes da morte.” Como os Muselmanner, os que nos campos já nada sentiam, tinham perdido a sensibilidade antes de morrer…


Curioso é que a esperança se mantenha sempre, essa indescritível artífice que mantém os homens vivos. Para Wiesel, depois dos campos de concentração, depois da família morta, depois de perder a Fé aos 15 anos  (que é a Vida e o Amor de um judeu) “há mais para  celebrar que para denegrir no Homem”, como nos dizia Camus.