... "And now for something completely different" Monty Python

Saturday, November 11, 2006

A Tradição Já Não É o que Era


Bem sei que Outubro é um mês a roçar o deprimente. O Outono nos Açores não é especialmente bonito nem colorido, chove quase tanto como em Abril com a agravante de que o que nos espera é o Inverno, estamos na ressaca do Verão e não apetecia nada deixar os dias morninhos e longos por um capacete de nevoeiro. Além disso, verifica-se uma debandada geral de gente: de estudantes que vão para fora da ilha, de turistas (pronto, está bem, podem sufocar o riso, já sei que não temos assim tantos, mas no Outono é que não vamos vê-los a tirar fotografias à torre do Relógio e ao seu largo de aspecto arruinado, de certezinha!), de iatistas que estão todos de férias na época baixa de Outubro (a Horta é incaracterística e meia despovoada sem eles), de emigrantes que já fizeram as visitas à família.  Juntemos a isto os rostos das criancinhas que já perderam a frescura expectante do regresso às aulas e temos uma melancolia quase generalizada.


Cada um lida com ela a seu modo. Há aquelas cidades (sim, nos Açores também, embora, felizmente, a Horta tenha o bom senso de não o fazer e espero que continue assim!) que se enfeitam prematuramente para o Natal, com bolas, luzes, pinheiros – de plástico, senão não aguentavam tanto tempo, já se vê… - e, sobretudo, um número infindável de pais natais, renas e bonecos de neve. Faz todo o sentido que nos preparemos para o Natal, essa festa de partilha, com tanta antecedência. Se eu fosse comerciante, ficaria deliciada! Como não sou, quando chega à quinzena natalícia, já estou capaz de dar um tiro ao primeiro bonequinho fofinho com nariz vermelhinho que me faz sacar da carteira porque é Natal (é que já há dois meses que vem sendo Natal e já ninguém aguenta tanta dádiva com cântico de fundo…)


A par disto (e deste mal, não se escapa também por cá), resolveu-se animar o fim de Outubro com uma importação irlandesa. Estou convencida que a culpa foi da minha geração porque julgo que antes (tanto quanto sei, mas estejam à vontade para me rebater com provas em contrário)  não havia memória de se celebrar uma coisa chamada Noite das Bruxas ou - mais apropriada e celticamente falando – Halloween. A coisa começou muito inocentemente, numa versão brincalhona, em que nos mascarávamos de qualquer coisa assustadora (enfim, alguns com menos esforço que outros…) nessa noite, para nos divertirmos e porque isso era mais uma oportunidade de sermos outro alguém por umas horas.


De resto, como é do conhecimento geral (por um milagre que se chama televisão-que-passa-a-vida-a-mostrar-filmes-americanos) o Halloween é a noite antes do Dia de Todos os Santos (uma contracçãozita de All Hallows Eve). Há mil e uma versões sobre como se iniciou esta tradição e como se propagou – fácil é perceber que chegou com os colonos aos E.U.A., mais difícil é entender porque é que foi bombardeada nos últimos anos para todo o mundo, como se tivesse alguma coisa a ver connosco, e mais ainda porque é que engolimos isto tudo tão bem e pedimos mais. Realmente, hoje em dia não há santa terrinha onde não se veja uma lojeca no mês de Outubro a vender uma abóbora com um sorriso cortado à faca e iluminada por dentro, tipo lanterna, ou uns caramelos embrulhados em papel com bruxas para as fatais criancinhas que agora hão-de (tradicionalmente!) bater-nos à porta nessa noite, ou fantasias de fantasma e vampiro ou até – pasme-se ! – livros sobre «Como enfeitar a sua casa para o Halloween»   não vamos nós agora ter uma casa menos adequadamente decorada do que a do vizinho para esta novíssima tradição que se impõe. É preciso estar a par. Afinal, não somos menos que a América. Também queremos uma Noite das Bruxas.


Até há bem poucos anos atrás, tínhamos a nossa própria tradição, no Dia de Todos os Santos, chamada Pão por Deus. Muito diferente do Halloween, mas com um ponto em comum – também nos batiam crianças à porta, mas era muito mais simpático, porque não nos ameaçavam com o terrível «doce ou susto!» que dizem os putos do Halloween . A mim, apetece-me logo dizer «Olha, por acaso não tenho doces, prega-me lá o susto que quiseres, filho…», porque me aborrece este ultimato. Já a tradição do Pão por Deus é muito mais terna e, sobretudo, é nossa. Não cheira a baú da América, cujas roupinhas Portugal usa mas ficam-lhe largas e vê-se logo que não são suas.


Não tenho absolutamente nada contra as celebrações das tradições de outros lugares, quando o fazemos sabendo que estamos a fazer isso mesmo: a celebrar festas de outras culturas e a aprender com isso. Mas esta mania de incorporar na rotina de um povo datas que nada têm de intrínsecamente a ver com ele não lhe acrescenta nada, pelo contrário. Cada povo é único e característico por ser diferente e são (também) as tradições tão diversas que trazem encanto e beleza a cada um, e que fazem valer a pena viajar, conhecer, aprender, inter-relacionarmo-nos com  pessoas de outras nacionalidades. Querer, a toda a força, implementar costumes que não são nossos não é uma prova de inteligência nem sequer uma boa estratégia turística, dado que ficamos iguaizinhos a outros tantos. Iguais, não; uma imitação parola e comercial.


Qualquer dia, inventa-se o Thanksgiving como grande tradição portuguesa, que não é mais que dizer excelente forma dos supermercados expandirem o negócio dos perus.


Sunday, October 15, 2006

«Demasiadas Notas, Meu Caro Mozart!»

«Outubro é o mês da música.» É isto que vemos propagandeado e não se percebe muito bem porquê – afinal, quem gosta, gosta sempre (tenho a impressão de já ter ouvido esta frase em qualquer lado…afinal, o marketing funciona!); quem não aprecia dificilmente se deixará contagiar por se ter institucionalizado o dia 1 de Outubro como o Dia Internacional da Música.


«2006 é o ano Mozart.»  Outra frase repetida até à exaustão e igualmente sem sentido porque de Mozart são todos os anos desde 1756. Já em 1991 tínhamos assistido a uma febre universal mozartiana, quando se celebraram (o verbo é extraordinário quando aplicado a esta situação) duzentos anos da sua morte. Escreveram-se milhares de ensaios, artigos, biografias, restauraram-se quadros, repensou-se a catalogação Köchel (com o devido respeito que inspira sempre a toda a gente a revisão feita por Einstein), reviu-se a peça de Peter Schaeffer e o filme de Milos Forman centenas de vezes e, acima de tudo, discutiu-se muito a vida de Mozart nos círculos ditos eruditos;  não sei até se mais do que se ouviu a sua música – afinal, único momento onde reside o magnetismo inexplicável e a intemporalidade que todos se esforçavam por descobrir em mil e um lugares secretos estranhos aos sons. 


Desde o fim de 2005 - os 250 anos do nascimento de Mozart celebraram-se a 27 de Janeiro deste ano e a «máquina» não perde tempo! - que vimos assistindo a uma agitação em tudo igual. Nada mudou. Salzburg e Viena continuam a disputar o wunderkind e recebem peregrinações turísticas - embora todos já saibamos, há muitos anos, que Mozart nunca gostou da sua terra-natal - , os biográfos ainda discutem a influência na sua vida da disciplina e visão do pai Leopold, do carácter (amoroso ou cínico?... mas seguramente adaptável e camaleónico) da mulher Constanze Weber e da sua  (agora  admitida como muitíssimo  exagerada) rivalidade com Salieri. Um pouco por todo o mundo, não têm conta os concertos que se realizaram para celebrar o aniversário de Mozart este ano, e ainda continuam a realizar-se, havendo mesmo quem tenha tido a iluminação intelectual de encomendar o Requiem para a quadra natalícia, demonstrando esta escolha uma apurada sensibilidade musical a par de um  elevadíssimo conhecimento terminológico (e prático, pois imagino o desconforto que se apoderará das pessoas na igreja quando sentirem o peso e a melancolia de uma Missa de Defuntos na época cristamente alegre de aniversário do Menino Jesus. Adiante.)


Escrever sobre música é ridículo e pedante. Ridículo porque se as palavras pudessem transmitir o que transmitem os sons, não haveria músicos mas apenas escritores. Teríamos um mundo insuportavelmente mais pobre. Pedante porque a tendência geral quando se escreve ou até se fala sobre música e não se pertence a esse mundo tecnicamente (com raríssimas excepções, como Aldous Huxley que, sendo doutra esfera, aparentava uma naturalidade invejável) é meter a música em ficheiros bibliográficos  que se leram e arrumá-la  em teorias formativo-sistemáticas que se aprenderam há anos atrás, donde resultam conversas melómanas onde entram construções poéticas como «mistério ambivalente» a par de palavrões como «dodecafonia». Banalidades que não acrescentam nada à música enquanto fenómeno transportador.


Hoje, já elucidados pelos historiadores quanto a alguns mistérios mozartianos (as paixões juvenis pela prima e pela irmã da mulher, as viagens e as enormes dificuldades profissionais e financeiras, a ligação ambígua ao pai, as suas crenças, a sua doença súbita que nada teve de misterioso como por tanto tempo se acreditou), não somos capazes de discernir o mais recôndito – a razão do apelo da sua música. A música de Mozart é, mesmo para os animais ditos irracionais, a mais chamativa, a mais vivificante e, paradoxalmente, a mais tranquilizadora, segundo os etólogos.


Podemos agarrar-nos a conceitos como o domínio técnico infalível da forma e da «simetria» (a palavra mais usada quando se fala em Mozart, depois das palavras «divino» e «humano», o que nos faz pensar que ele é a ponte de equilíbrio entre dois mundos opostos) das suas sinfonias, a incomparável «percepção humana» (ops!) das suas óperas, o fascínio e brilhantismo dos seus concertos, a maravilhosa duplicidade – a um tempo alegre e nostálgica – das suas sonatas, etc, etc… Nada disso interessa. É absolutamente irrelevante tentar explicar o prazer.


De resto, nem sempre ele foi unânime, pelo menos entre os pseudo-avaliadores (essas pessoas sempre tão gloriosamente importantes na sua época e depois tão imediatamente esquecidas dias após a sua morte). O Sacro-Imperador José II ao ouvir a ópera O Rapto do Serralho - hoje aclamada como deliciosamente imaginativa - bocejou :«Demasiadas notas, meu caro Mozart!».


Afortunadamente, Mozart não prestava muita atenção aos seus mecenas ou a quem quer que fosse. A sua consciência musical era apenas a de que a música era. Sem necessidade de explicações ou consequências. E, nele, a música era um rio inesgotável  porque, tal como o sangue e a linfa que foram a sua curta vida, a música era Mozart.



Friday, October 6, 2006

Mudam-se os Tempos...


Em conversa com alguns miúdos (enfim, não tanto como isso, já são maiores de idade e têm mais 20 cm de altura do que eu,  mas, dado que 10 anos nos separam, a tendência é para os «miudizar» - sou capaz de ter inventado o verbo agora mesmo, atenção dicionário Houaiss!), descobri que a minha antiga escola secundária, hoje mais conhecida por uma sigla qualquer que me recuso a repetir por achar ridículo vivermos num mundo de siglas, proibíu que se dêem beijos na boca dentro do recinto escolar.


Serei só eu a única adulta, sã em mente e corpo (pelo menos ainda não fui internada por nenhuma mazela respeitante a estes) a achar esta medida absolutamente estapafúrdia?


A coisa torna-se ainda mais engraçada se pensarmos que a proibição é ideia de um grupo de pessoas que, quando eram jovens (basta fazermos as continhas à idade que têm…), seriam certamente todas muito arejadas e algumas até auto-denominadas hippies – vá lá, à escala do arquipélago, onda a onda hippie chegou muito mais tarde e foi sempre bem mais soft . De qualquer modo, quando andavam no liceu, estes senhores e senhoras – hoje tão predispostos a ver num beijo um pecado! - estavam  dentro da onda  da liberdade e do flower power. Todos sabemos que a máxima vigente da época destes senhores era MAKE LOVE NOT WAR e com isto está tudo dito. Resta saber se o make love era tão directo que se ia lá sem beijos nem nada. Espero, sinceramente, que não.  Estes senhores e senhoras ainda falam dos namoros e atrelamentos que tinham «no liceu» (e não «naquele tempo», note-se o pormenor semântico), mas agora querem convencer a malta que namorar dentro da escola «não se deve fazer», seguindo as boas regras de Frei Tomás, faz o que ele diz e não o que ele faz.


Entretanto, estes senhores cortaram os cabelos, fizeram as barbas, as senhoras subiram cada vez mais os saltos dos sapatos e puseram maquilhagem, eles e elas empinocaram-se nas roupas (não esquecer as fundamentais gravatas para eles) e começaram a ficar muito cansados. O cansaço crescia à medida que passavam mais tempo sentados em confortáveis cadeiras, normalmente conhecidas por «cadeiras executivas». São cadeiras que se vendem no hiper, mas só dão estatuto quando se pode fazer leis (umas a torto, outras a direito) ou mandar em meia dúzia de gente (nem que seja na comissão de moradores do prédio) sentado nelas. Depois, o cansaço engorda, o pessoal deprime-se e para chatear aqueles com ar juvenil e bem-disposto é caçá-los – cortar-lhes isso da beijoquice, por exemplo. Que pouca vergonha é essa agora ? Eles, no seu tempo (perguntem-lhes)  não beijavam ninguém  na escola!


Decerto haverá pais preocupados e professores iluminados que defendam que os namoros dos filhos/alunos dentro do recinto escolar lhes desviam a atenção das disciplinas a serem estudadas. Ah ah ah ! E outra vez : AH AH AH ! É mais ou menos como dizer que as batatas fritas estão no prato para tirar o lugar ao bife. As indecentes. A partir de hoje, devíamos comer só bifinho. Sem salada, sem batatas, sem arroz, sem molho. Seco e duro. Toma lá. Até o saboreias melhor.


A escola é onde um adolescente passa mais tempo. Não é unicamente o lugar onde vai aprender Português, Matemática, Biologia, Inglês, Desporto (embora também seja isso, o que já não é nada dizer nada pouco!). É também  o lugar onde aprende a viver em sociedade, porque o microcosmos familiar é uma célula demasiado pequena  (e quantas vezes deficiente ou até inexistente) para que ele possa apreender as ligações inter-pessoais que, de qualquer modo, são demasiado ricas e vastas  para se realizarem em pleno (só) aí. O amor faz parte da vida, e quando não faz é de lamentar. Parece-me muito perigoso incutir esta noção como regra – a de que uma manifestação de amor  (porque um beijo é tão só isso e não o tabu que querem fazer dele) está proibida.


Bem sei que muitos pais (e certos professores, meus caros colegas) abanam a cabeça a dizer que os meninos que querem namorar podem ir para casa fazê-lo. Do ponto de vista de um pai preocupado com a sua filha (porque é disso que se trata) não me parece muito inteligente. Qualquer casa oferece muitos mais perigos, com tanto chão para rebolar, sofás e camas fofinhas e (sobretudo) portas que se podem trancar.  Quem diz casa, diz outro local com chave. A imaginação de alguém a quem uma proibição foi imposta é quase ilimitada. Como sabemos, proibir é incentivar a vontade de um coração rebelde. Então, um apaixonado trepa paredes lisas.  


Se for rigorosa na sua proibição do beijo, a escola dentro em pouco levará à sua própria desertificação, excepto nos momentos absolutamente necessários para a prática do desporto e para a assistência de aulas. Isto porque ninguém prevê quando é que um beijo pode acontecer, certo?


Caros pais e colegas, a vossa preocupação é um pouco excessiva. Afinal, que a ciência tenha conhecimento, ainda não se engravida pela língua… 


Friday, September 15, 2006

O Nosso Mal


Há uma doença terrível, da qual pouco se fala abertamente, mas que julgo ser uma das que mais pessoas ataca a nível internacional.  As farmácias vêem-se desprovidas de medicamentos para combater os sintomas deste mal que grassa a olhos vistos. O facto é que causa imensas dores, que se situam ali mesmo na junção entre o braço e o antebraço, vulgarmente conhecidas por todos como dores de cotovelo. Agora, que já sabem do que estou a falar, pensem um bocadinho e vejam lá se não conhecem uma variedade absurda de pessoas afectadas por isto, por um motivo ou outro. Incrível, não é ?


Outro sintoma, claramente óbvio da patologia a que me refiro, é o tempo que os doentes passam a dedicar-se a um passatempo, que dadas as proporções desta catástrofe galopante, já se tornou no passatempo mundial: a maledicência.


Todavia, este hobby assume características muito peculiares na nossa cultura. Senão, vejamos: é tido como aceitável e até natural que um amigo de alguém diga deste as piores coisas quando o outro não se encontra presente, segundo a máxima « Sou amigo dele, mas não deixo de ver que fulano é um incapaz / um ignóbil / um estupor / um vendido / etc, etc, etc… ».  Apetece imediatamente  perguntar « Como é que és amigo de um incapaz / um ignóbil, … e mais esses adjectivos todos com que o brindaste agora ? » Sim, porque deve ser um grande fardo andar a aturar uma personalidade dessas ! Que peso ! Será para ganhar um cantinho no céu, à custa de sacrifícios ?


O contrário também se verifica (embora em muito menor grau, já se vê, e – como é óbvio ! – está fora do quadro sintomático da nossa patologia em análise): dizer bem de um suposto inimigo, adoptando a frasezita: « Nunca gramei esse sujeito, mas não deixo de reconhecer que é um tipo vertical… »


A que podemos atribuir esta estranha reversibilidade de papéis ? A uma dessincronização entre afecto e razão, e então, neste caso, o doente – coitadinho !-  não tem culpa de gostar tanto de gente tão odiosa e estapafúrdia como são os trastes dos amigos que tem, porque o coração tem razões que a razão desconhece, já diz o outro. No entanto, esta hipótese científica acabadinha agora mesmo de sair do forno, perdão, do tubo de ensaio mental, sofre já de problemáticas. É que quando chega o amigo do doente, tão maltratado por este anteriormente no seu discurso de maledicência, muda o disco – mas não toca o mesmo, não senhor ! E volta a ser o « amigalhaço », o « gajo porreiro », o « sabes que sempre gostei de ti, Manel ? »


A verdade é que quem sofre desta patologia tem uma ambição na vida – escalar (não a montanha do Pico, mas outras que, sendo tão materiais quanto essa, são de cariz mais económico). Consequentemente, como a economia é o que há de mais flutuante e instável neste mundo em que vivemos, nunca se sabe bem quem vai subir ou descer… Logo, o doente (que é hipócrita, sim, mas não é tolo !) não pode exprimir as suas reais opiniões abertamente, cultivando sempre a fidelidade a si próprio, mantendo-se à tona de água através dos esquemas que lhe permitem estar « de bem com toda a gente ».


Assim, estes doentes são, regra geral, « tipos fixes »  cujos companheiros em corrente dão a volta aos Açores dezenas de vezes… Pena é que não se comportem como amigos, desconhecendo o conceito essencial de « lealdade ». Claro que a insistente dor na junção do braço com o antebraço incomoda e não deixa pensar (nem sentir muito para além da dita…), pelo que é compreensível que os conceitos se esfumem ! É como pedir a alguém com uma enxaqueca persistente que recite Os Lusíadas.


Outra manha é a de fingirem que não estavam a falar do amigo A, mas sim do amigo B quando disseram a atrocidade Z : « Ó António ! Mas tu achas que eu ia dizer uma coisa dessas acerca de ti, eu que respeito tanto o teu trabalho e a tua conduta ?! Claro que aquilo que eu disse era a respeito da Ana, pá ! Toda a gente que estava ali percebeu, só tu é que não queres ver… »  Daí que os que sofrem deste mal tenham sempre o cuidado de evitar situações muito concretas, e prefiram que sejam os seus interlocutores a pronunciar nomes próprios ; dizem, quase sempre, « ele » e « ela » - que seria desta gente se se banissem os pronomes pessoais de sujeito ?


Entretanto, a epidemia continua a fazer vítimas. Tanto que a desconfiança surge entre amigos como um bichinho roedor, uma destruidora (talvez uma térmita, bicho que anda na moda e anda agora a ser estudado por cá). Até mesmo quando uma pessoa escreve uma simples opinião, logo se levantam sobrancelhas e lhe perguntam : « Ouve lá, Albina, aquilo… por acaso… não seria para mim, não ?! »



Thursday, August 10, 2006

O Turismo que Temos

O que se ouve dizer é que os Açores estão todos virados para o turismo. Houve a época da planta tintureira, a da laranja, a das vaquinhas (e ainda estão por aí, oh quantas!...) e agora – vou, elegantemente, fazer o salto no tempo de alguns booms económicos, porque se não sou historiadora tão pouco sou economista! -  quer-se apostar no turismo. Palmas.


Para perceber porque é que não temos mais turistas, convém sair dos Açores e voltar como se fosse turista, que é o mesmo que dizer como se não se soubesse do que é que a casa gasta. Na verdade, nem é preciso sair porque o bom português está sempre pronto a reclamar do que vê no seu país, quanto mais na sua região, na sua ilha brada aos céus (repare-se que um português insulta outro dizendo “essa tua atitude é mesmo portuguesa!”, frase que prova que o nacionalismo por cá nunca há-de vingar!)  não sendo de estranhar, por isso, que o turista – quantas vezes mais delicado e mais sorridente- também vá enfiando a sua farpa, murmurada noutro idioma.


Não pretendo com isto fazer a apologia desses senhores de sandália com peúga, não!  Bem sei que há muitos turistas a quem apetece apertar o pescoço, sobretudo quando começam a perguntar “porque é que não há aqui o doce de laranja igual ao doce que se faz na Suécia?” e se não temos “trufas negras para acompanhar o bife de porco, porque toda a gente sabe que só se pode comer bife de porco com trufas e é uma porcaria se não se come dessa maneira!”


Pessoalmente, quando vou a outro país, procuro as tradições e costumes desse lugar novo onde estou. Acredito que conhecer um sítio é, também, conhecer os cheiros, a comida, as danças, a música, as pessoas desse mundo novo e não só as paisagens e os museus. Se fosse só por isso, comprava um livro de fotografias e até me cansava menos. No entanto, é assombroso o número de pessoas que, quando viaja, espera encontrar a sua vidinha noutro lugar! Irritam-se por não verem a comida temperadinha com as mesmas especiarias e perguntam por marcas de vinhos que a gente nem sonha (ao que apetece responder, de imediato, “beba vinho do Pico que fica mais bem servido!”). Deste mesmo mal, sofrem muitos portugueses quando vão de férias, o mal de quererem levar a Pátria consigo, dentro de uma mochila de campismo. Essa Pátria da qual ainda há dois minutos diziam raios e coriscos, agora vai bem embrulhada na forma de pastéis de bacalhau (porque não se sabe se nessas terras do demo os fazem), de revistas mil, e até de papel higiénico (porque há certos países que não são tão limpinhos como o nosso... neste ponto, têm razão, mas adiante).


O certo é que se queremos turistas, temos de nos vender. Isto dito assim, parece mal, mas é verdade. Há que engolir uns quantos sapos, sorrir sempre e ter muita paciência. São turistas, não sabem a sua mão direita. Mas nós é que precisamos deles, a ver se entendemos isto.


Vamos pôr-nos outra vez na pele do turista, o que não é difícil – já sabemos que não há quem se sinta mais estrangeiro do que um português em Portugal (até há os que falam mal português e tudo!). Repare-se na cara de má-disposição que uma pessoa encontra quando vai a um estabelecimento. Longe vão os tempos em que se dizia “Bom dia!” Isso é que era! Agora, temos muita sorte se apanhamos um sorriso, ainda que breve, de quem serve. Regra geral, está tudo com uma fronha de ressaca. Nós é que fazemos o favor de ir ali comprar /comer/ dormir! Que fique desde já esclarecido, nem pio, venha o próximo da fila.


Os transportes são um drama.Certo, estamos em ilhas. Dependemos dos aviões e dos barcos. Não vou por aí, porque todos sabemos como dói voar (monetariamente) e nem sempre se pode andar no mar (dado que não há barcos no Inverno entre todas as ilhas). Depois de chegar à ilha em questão, qualquer que ela seja, o turista está absolutamente preso na cidade onde vai ficar. Os transportes terrestres são muito escassos e sem horário (muito) fixo. Ao fim-de-semana, então, nem pensar em sair da cidade, que ideia!... A não ser que se esteja disposto a pagar um balúrdio por um táxi.


A verdade é que qualquer cidade açoriana se vê num dia (um iluminado está a pensar, neste instante que Ponta Delgada oferece a possibilidade de ir fazer compras ao Parque Atlântico, mas centros comerciais existem em todo o mundo. Certo é que este tem uma baleia artificial como enfeite, mas estou em crer que baleias destas só são interessantes para quem nunca viu uma baleia real). Depois desse dia, procura-se a natureza, as paisagens, que são, enfim, aquilo que os Açores têm para oferecer de diferente e de genuíno.


 Sim, porque quem quer praias tórridas vai para o calor intenso das Caríbas ou do Mediterrâneo; quem quer neve, vai ao Norte. Não será o nosso clima incerto que vai atrair turistas. Não será a nossa História que, por mais interessante, não bate o Renascimento italiano ou a Grécia Antiga. Só nos podemos valer da natureza ainda agreste, do mar ainda puro e da simpatia que ainda resta nos olhos e mãos do povo. Assim, não vale de nada  construir dezenas de unidades hoteleiras para prender as pessoas numa cidade sem lhes dar um sistema de trasnportes em conformidade para que possam explorar o campo.


Os gregos, que vivem do turismo, são quase brutais no ataque ao turista. Vamos na rua e há criaturas que surgem de todos os lados a perguntar se não queremos experimentar o prato tradicional (do qual nunca é revelado muito), a baklava, ou se não queremos fazer uma excursão não sei onde. Todo o bocado de rocha, feio e tosco, saíu, de certeza, do Pártenon. O Olimpo multiplicou-se numa miríade de deuses e deusas em miniatura que todo o turista compra – eu própria fui ingenuamente levada na conversa de comprar uma deusa da água (duvidando muito da sua existência) porque “era mesmo parecida comigo!” segundo o vendedor - todos os que me lêem saberão que tenho muito pouco de deusa...


Outro aspecto muito nosso é a sorna domingueira. Ao Domingo, fecha tudo. O turista pensa que está numa cidade fantasma. Não há nada para fazer! Qualquer cidade que pensa fazer do turismo um negócio, tem tudo aberto ao Domingo. Ou então, deixamos de brincar com esta ideia do turismo e assumimos que não temos vocação para receber gente e que essa coisa de “cidade hospitaleira” é só uma semana por ano.


Thursday, July 20, 2006

Em Busca de um Fio…

El Gran Laberinto, o novo livro de Fernando Savater, é um romance de aventuras juvenil. Este rótulo – é necessário enquadrar o que se escreve num género qualquer, para agradar aos teóricos e confortar os entrevistadores (e vice-versa!) – é explicado pelo autor: “Um livro que só agrade a uma criança não vale a pena nem para a criança. A literatura juvenil é aquela que também pode agradar aos jovens.” Fã incondicional de Júlio Verne, de R. L. Stevenson e de todos os relatos iniciáticos que marcam os anos inquietantes de aventura e descoberta adolescente, este catedrático de Ética da Universidad Complutense de Madrid opina que escrever para jovens obriga a renunciar aos artifícios pedantes de que geralmente se socorre um escritor: “Podes impressionar um adulto com uma citação de Habermas ou de Popper, mas um puto de 13 anos não se impressiona minimamente. Tens de te defender com as tuas próprias armas. Não te podes esconder em truques eruditos. Os jovens obrigam-te a seres directo, e isso faz com o que escrevas valha por si mesmo. Deitas fora as tuas muletas culturais. Nós, os do mundo académico, temos muitas vezes essa tendência: a de nos refugiarmos atrás das citações. São muralhas! È por isso que gosto tanto deste exercício – fico com o corpo  a descoberto.”


Savater é muito conhecido pelos seus livros La infancia recuperada, Ética para Amador e Politica para Amador, todos eles com uma dimensão pedagógica acentuada. Educar é, para este professor, algo de apaixonante e não uma tortura, pelo que faz sentido passar essa mensagem nas suas obras. Entenda-se “educar” como “aproximar as ideias das pessoas para que possam ser melhor compreendidas” e não a filosofia discursiva de uma elite ou a massificação de um didactismo aborrecido. Aliás, a literatura pressupõe-se divertida. O próprio Savater confessa ser, como José Luís Borges, um leitor hedónico, que não seria nada mais se lhe pagassem somente para viver lendo: “A leitura é, em primeiro lugar, um prazer e os prazeres não se impõem, comunicam-se por contágio.O prazer da leitura tem de ser contagiante.”


A ideia de El Gran Laberinto foge à noção estrutural de um romance deste sub-género (na época pós-moderna, à falta de melhor adjectivação para o casino temporal em que vivemos, ainda subsistirão estes esquemas?) -  a intenção do autor era construí-lo como se fosse um vídeo-jogo. De facto, foi a sua mulher, aficcionada dos vídeo-jogos e já cansada das críticas que se faziam a quem passava a vida de comando na mão, quem lhe deu a ideia: em vez de criticar tanto o pessoal fã dos jogos de computador, e de dizer que os putos não lêem e são uns viciados do ecrã, porque não tentar fazer um romance juvenil de aventuras que lhes desse exactamente o que lhes dão os vídeo-jogos – aventura, risco, o poder de decidir, de escolher, a febre da luta, a ultrapassagem de si mesmos e a glória de um objectivo final?


Savater entendeu que todo o vídeo-jogo não é mais que uma forma de mecanismo iniciático e, no fundo, de educação – fonte de experiência através de determinadas passagens e consultas, daí que agrade tanto ao adolescente. Com uma certa perícia, chega-se à glória; quando não, não há recompensa. São uma forma imaginativa de recuperar histórias. Para tempos diferentes, um modo diferente de narração.


El Gran Laberinto pretende ser, assim, um multimédia convertido em romance, em que cada viagem das personagens trata de um problema actual – o fanatismo religioso, a violência sobre os mais fracos, a ciência ao serviço da guerra, etc. Isto porque o autor acredita que a literatura é, a seu modo, uma espécie de farmácia, na qual há remédios para todas as doenças, basta procurarmos. Preocupa-o, de modo particular, a questão dos nacionalismos (Savater é natural do País Basco, sofreu variadas agressões na sua região e, assinale-se, venceu o Prémio Sakharov de Direitos Humanos). Segundo ele, “o problema dos nacionalismos não é um problema real como a fome, a educação ou o desemprego. Não são os territórios que têm direitos, mas sim os cidadãos. E é com os cidadãos, não com os territórios, que devemos preocupar-nos.” A mesma posição assume em relação à língua: “São os falantes que têm direito à língua, não as línguas que têm direito a procurar falantes. Se os falantes decidem falar outra, têm esse direito. Os nacionalismos crêem que tudo tem direitos, excepto as pessoas.”


Para este educador, as pessoas e o seu viver são o mais importante. Assim, ele gostaria que os seus livros fossem pontos de partida e não de chegada. Partidas para outras leituras, outros prazeres. É por isso que há tantas referências e pistas para um leitor atento.


El Gran Laberinto não deixa de ser polémico, sobretudo por se coadunar com a internet, de certa forma. Savater crê que não podemos negar a modernidade. Para ele, “ler é ler um livro” e nada retira o prazer do papel. Mas é compreensível que outras gerações tenham outros interesses porque nasceram dentro de outro espectro de circunstâncias: “O que é preciso é conservar vivo o prazer que a leitura encerra. Pensemos que muitos dos nossos antepassados, tão importantes intelectualmente, nunca tiveram um livro, em sentido moderno - Séneca, Aristóteles... nunca leram nenhum.”


Mas isso de ler não é fugir a uma vida, a um viver no sentido verdadeiro do verbo? Savater diz-nos que “as coisas mais belas, como o amor, como a religião, têm sido tremendamente mal usadas. Com a literatura, pode acontecer o mesmo.”


Wednesday, June 28, 2006

O Futebol é Assim...


Grosso modo, os portugueses podem dividir-se em dois grupos: os que gostam de futebol e os que até nem se importam com futebol mas vão vendo quando calha, nomeadamente (advérbio caríssimo aos comentadores desportivos!) quando a Selecção Nacional joga. Já a diferença entre aqueles que percebem de futebol e os que não percebem nada disso é irrelevante, pois, como é do conhecimento geral, todos os do primeiro grupo (os que gostam de futebol), são especialistas soberanos na matéria.


Portugal tem cerca de 6500 treinadores de futebol potenciais. Estão por todo o lado, mas o local preferencial de encontro é o café da esquina. Não havendo café e estando sol, a  esquina também serve.


É por esta razão que é tão difícil ser “treinador de facto”, já que toda a gente julga saber do negócio e, o que é mais importante ainda, está genuinamente interessada nele. Deve ser por isso que pagam tanto aos treinadores, coitados, para que possam aguentar a pressão vinda de tantos quadrantes. Pobres vítimas sociais! Em breve, haverá uma neurose denominada “Síndroma do treinador” se continuarmos a pressioná-los de forma tão inumana.


Ser jogador é mais fácil, porque a popularidade de um jogador é para o bem e para o mal. Tanto são elevados a heróis nacionais como subjugados a grandes estupores que não merecem a relva que pisam e deviam era comê-la (tudo depende, claro, do resultado do jogo). Excepção feita aos guarda-redes: os homens da baliza são uns marginais que nem na própria equipa se enquadram; estão sempre à parte, porque não são tidos para as vitórias mas são sempre lembrados nas derrotas. A única altura em que alguém se lembra dos guarda-redes com uma pontinha de orgulho é quando defendem uma grande-penalidade e, mesmo assim, logo chovem uma data de frases, como a célebre (e injusta): “Um penalty não se defende, marca-se” (outro chavão que confesso não saber quem disse originalmente, mas logo foi copiado por  todos os comentadores desportivos e treinadores de bancada, incessantemente, até hoje). Não há direito. Assim, não há miúdos que queiram ser guarda-redes. Os putos são forçados a irem para a baliza  nas escolas, porque não há ninguém que queira ir apanhar com as frustrações rematadas de toda a gente. Por outro lado, todos sonham em ser “jogadores de campo” (expressão giríssima, como se o o guarda-redes não estivesse em campo, mas na bancada ou na pastelaria em frente, debicando uma nata e bebendo um café durante os 90 minutos).


Pior que ser guarda-redes é ser árbitro. Ninguém, de nenhuma equipa, tem simpatia pelo árbitro. Está contra nós, foi, de certeza, subornado pelos outros, e – para cúmulo! – é muito claro que não sabe as regras. Qualquer adepto sabe mil vezes mais de futebol que o árbitro. É a ignorância dele que irrita, aliada à insegurança portuguesa e àquela pontinha de desconfiança que faz todos acreditarem que aquele “caramelo” só pode ter sido levado pela outra equipa a acabar connosco. Bandido! O mundo sempre esteve contra nós. Até admira como é que chegámos tão longe no Europeu. Ninguém nos ama e nós (pobrezinhos mas honrados) não compramos árbitros; não baixamos o nível como essa gente (os outros todos, todos).


Há uma série de mitos em relação ao futebol que importa fazer cair. O primeiro é que as mulheres percebem menos de futebol que os homens e que, quando vêem futebol, o fazem para observar os jogadores. Isto só pode ser uma ideia masculina, porque qualquer mulher com uma visão 20/20 sabe que os actuais jogadores deixam muito a desejar (deixar a desejar é o termo certo porque não há desejo que se acenda com uma observação dos ditos). Reparem no ar de menino-bem de alguns jogadores de agora, e no modo como passam a mãozinha pelo cabelinho. Apetece mandá-los mudar o sapatinho e irem jogar golfe, com os respectivos caddies. Depois, misturam o ar de rapaz-da-Linha-sei-lá com a escarradela para o chão a toda a hora (mesmo depois do jogo já ter acabado). Logo, não estou a ver a que propósito é que alguém se há-de encantar com semelhantes espécimes. Há poucos anos, havia jogadores giros, mas esfumaram-se. Paciência. Não se pode ter sempre uma equipa que cative turistas.


Outro mito é que o pessoal ligado ao futebol é pouco inteligente e dá respostas estúpidas. Em boa verdade, também só lhes fazem perguntas cretinas, que não são passíveis de boas respostas. Nunca esqueci estas: “Como é que se sente?” (feita a um jogador, vítima de fractura exposta, quando o infeliz estava a sair de maca); “O que acha de ter passado de besta a bestial?” (muito acertadamente respondida “já não é a primeira vez!”); “O que vai fazer para dentro do campo?” (feita a um avançado que entrou quando a sua equipa estava a perder). Não pode ser! Estupidificam-se os senhores e depois faz-se troça deles.


Há ainda a ideia de que os intelectuais portugueses não gostam de futebol, a não ser que o digam por motivos políticos. Na verdade, a maior parte gosta, mas carrega más memórias da escola, onde os tratavam mal porque eles não sabiam jogar. Reparem que a elite nunca é do Benfica, clube plebeu e de massas que, ainda por cima, fica geograficamente perto da Amadora, da Damaia e de todas essas zonas duvidosas onde o pessoal não usa gravata. Quando muito, usa navalha. A elite é do Sporting, muito mais Lumiar, Telheiras e sempre em festa. Do Porto, nem falo, porque todos sabemos que o dragão é uma coisa mitológica e não existe.


Porém, agora, somos todos portugueses e estamos com a selecção. Mesmo o pessoal cheio de ideias independentistas para os Açores, agora é orgulhosamente português. Embora não haja açoriano que não goste mais do Pauleta que dos outros jogadores... provavelmente porque ele, apesar de super estrela, é sempre o rapaz simpático, vizinho aqui do lado.